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É tão estranho
O silêncio presencia a ausência que sinto
Como há silêncio no espaço vazio se aqui não se existe
E a presença do que não há como pesa o peso que sinto
Se assim ao menos o peso fosse leve como a ausência
Tudo poderia fazer algum sentido
Mas o tempo segue e há o ditado que diz “o tempo voa”
Se voa ou se fica, uma coisa é certa, a ilusão do que vejo
Ou a ilusão do que sinto, faz o tempo não ser o mesmo
Envelheço a cada segundo, as ruas já não possuem o mesmo tom
O que era doce permanece doce, mas o que tinha gosto particular parece ter perdido por razão do que não sei
Estranho o tamanho do meu eu
Como consigo entrar ali num coração apertado onde se quer
Realmente há espaço pra morar, às vezes é assim que somos
Algo amassado o suficiente para caber onde não cabemos
Dizem que tudo passa ao passo que nada permanece
E se é assim, que seja a vida também um passo
Que não há de permanecer
O dia fúnebre chega a todo passo
Com ou sem aqueles que compassam com a gente
É assim, muitas vezes numa inércia que acreditamos
Haver fundamento para procurar razões que justifique
Ou que acalme o que somos ou o que não somos
Às vezes eu apenas quero, não sei exatamente o quê
Nem me esforço para descobrir
Já me basta sentir todo peso que carrego de uma vida pena
Assim sigo da mesma forma que para aquele o dia fúnebre chegará
Por um suspiro de quem já é
E assim basta morrer.

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